quarta-feira, 26 de junho de 2013

Profusão de senhas faz segurança virtual movimentar bilhões

SHEILA D'AMORIM
FLÁVIA FOREQUE
DE BRASÍLIA

À medida que a informatização ocupa espaço no dia a dia das pessoas, cresce também a quantidade de senhas para administrar.

E, se os crimes cibernéticos impulsionam essa ditadura das senhas, eles também são responsáveis por estimular uma indústria que investe bilhões para garantir a segurança das informações.

Banco do Brasil quer fim de senha no caixa em cinco anos

Apenas no setor bancário no Brasil, onde estão dados considerados mais sensíveis, os investimentos em segurança foram de R$ 2 bilhões em 2012.

Em 2008, segundo pesquisa realizada pela Febraban, foi cerca de R$ 1,2 bilhão. E com o avanço do uso de smartphones como meio de pagamento, o mercado se torna ainda mais promissor.

Para ter ideia, o Banco do Brasil, maior instituição financeira de varejo do país, tem cadastrados apenas 1 milhão de smartphones, pouco mais de 2% da base de clientes, que contabiliza 38 milhões de contas correntes.

E a cada novo canal que surge no mundo virtual, uma nova senha vem junto. Em média, segundo consultorias especializadas, o brasileiro tem cinco senhas. Mas esse número pode facilmente triplicar a depender do nível de interação com a internet.

editoria de Arte/Folhapress

MUNDO VIRTUAL

Além de bancos, emails e redes sociais, quem faz compras online acumula mais senhas. O uso de aplicativos como Skype, para videoconferência com amigos e parentes, também representa mais uma senha na lista.

A advogada Cíntia Ternes, 44, tem até aplicativo (acessado por meio de senha) em que guarda as 20 senhas que precisa administrar.

"É de enlouquecer. Tenho raiva disso", reclama a aposentada Marlene Santos, 67. Para administrar 12 senhas diz que anota tudo num caderninho. "Mesmo assim, acabei bloqueando vários cartões".

SEGURANÇA

Assim, a necessidade de segurança das bases de dados ganha importância.

"A segurança já é um aspecto do negócio. Hoje tudo está na internet e todos estão preocupados com isso", argumenta Carlos Pádua, vice-presidente de desenvolvimento e tecnologia da Diebold Brasil, uma das maiores empresas de automação bancária.

Segundo ele, há uma década, a parte de segurança correspondia a 2% do valor final de um produto nessa área. "Agora, é cerca de 20%."

Com o uso cada vez maior da internet e o surgimento dos mercados virtuais, aumenta exponencialmente o volume de informações digitais com o qual as empresas precisam lidar.

Em busca de espaço e segurança, surgem alternativas como a computação em nuvem, ainda tímida no Brasil. A estimativa, segundo Ivan Semkovski, da empresa de tecnologia Globalweb, é de que até 2015, 10% dos produtos de segurança de informação corporativa estejam disponibilizados na nuvem --hoje, é cerca de metade disso.

Ele afirma que o investimento mundial nessa área será de US$ 4 bilhões nos próximos três anos.

"As informações estão ficando cada vez mais complexas: num site de compra a pessoa quer ver a imagem do produto em 3D, ver opiniões de quem comprou. Um único produto tem um tráfego grande de informações que as empresas estão mandando para nuvem", explica.

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/06/1298065-profusao-de-senhas-faz-seguranca-virtual-movimentar-bilhoes.shtml

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