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Hackers: traquinas digitais viram adultos


Os hackers são jovens infratores solitários e independentes, como vemos nos livros e filmes? Em uma conferência internacional de hackers na Holanda o estudo do Direito se mostrou tão importante quanto a ‘engenharia reversa’ do mais novo Microsoft Word.

A estação de rádio criada para a conferência Hacking Random 2009 toca Pete Townshend e Level 42 – música que há algumas décadas já não é considerada ‘hip’. Entrementes, convidados falam no estúdio sobre um ‘hackerspace’ em Berlim no local onde certa vez um disco voador teria caído, e sobre a dúvida se também é possível ‘raquear’ comida.

Comunidade consciente
Neste encontro de hackers, que acontece a cada quatro anos, paira uma atmosfera um tanto caótica, o que fez com que o município de Boxtel, onde a conferência acontece, ameaçasse proibir a o evento em 2005, por medo de perturbação da ordem. Mas de acordo com Brenno de Winter – um dos palestrantes no Hacking at Random – isso é puro preconceito.
“A comunidade dos hackers foi desde o início uma comunidade muito consciente, que se preocupa com a relação entre o homem e a tecnologia”, diz ele.
Mas nos últimos anos muita coisa mudou. Quando os hackers aparecem nos noticiários atualmente, não são mais os solitários independentes, mas em geral guerrilhas digitais organizadas de países como Rússia e China.
Hackers chineses acabaram com as vendas de ingressos de um festival de cinema na Austrália este mês. Tudo porque o festival exibiria um documentário condenado por Pequim sobre a líder uigur Rebiya Kadeer. E na semana passada, hackers russos causaram uma pane no Twitter e no Facebook para calar ‘Cyxymu’, um blogueiro crítico da Geórgia.
Inimigos
Os tempos também mudaram para os hackers do Hacking at Random. Desta vez eles até mesmo convidaram inimigos tradicionais para a conferência, como representantes do governo e Tim Kuik, o chefe da Brein, empresa que vigia a violação digital de direitos autorais na Holanda.
“Nós trabalhamos bem com as autoridades”, diz Brenno de Winter. “Eu tenho uma estação de rádio e organizamos todas as licenças corretamente. E justamente porque Tim Kuik e funcionários da justiça estão por aqui, podemos estabelecer um diálogo. Isso significa que o governo também está mudando sua visão.”
Isso é necessário porque, de acordo com os hackers, há no momento uma grande ameaça sobre a privacidade, por causa das novas tecnologias e novas regras na União Europeia, em particular na área de ‘retenção de dados’.
“Se olharmos, por exemplo, os cartões de transporte usados na Holanda, os dados ficam armazenados por um ano”, diz De Winter. “Um nível de controle destes não existia nem no tempo da cortina-de-ferro. Então acho saudável que exista uma comunidade que obrigue as pessoas a pensar sobre isso.”
Geração adulta
Para evitar as práticas ‘Big Brother’, De Winter desenvolveu um programa de chamado ‘Small Sister’. E para se prevenir, os hackers compilam cada vez mais informações sobre direito digital e proteção da privacidade.
Ainda há hackers suficientes que se vestem como personagens de ‘Jornada nas Estrelas’ e Brenno de Winter admite que o número de solitários, como reza o clichê, ainda é acima da média. Mas ele concorda com o novo nome que o idealizador do encontro, Rop Gonggrijp, criou para a atual geração de hackers adultos: ‘combatentes digitais pela liberdade’.

Extraído do site: http://www.rnw.nl/portugues/article/hackers-traquinas-digitais-viram-adultos

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