Pular para o conteúdo principal

Crimes na internet: Latino-americanos chegaram tarde à questão

Estadão

Além do combate aos crimes violentos, a segurança dos cidadãos também está ligada à prevenção de ataques no ciberespaço.

Numa região em que o tema da segurança cibernética domina as agendas de todos os países, pouca atenção tem sido dada a outro tipo de crime silencioso que está se tornando rapidamente uma das maiores ameaças para cidadãos, empresas e governos. E na América Latina, com 40% da população online, qualquer pessoa com um computador ou um smartphone é uma vítima em potencial.

Países como Brasil e Colômbia montaram operações de defesa cibernética em suas Forças Armadas. As unidades policiais estão mais atentas aos crimes da internet. Entretanto, ainda estão muito longe de poder contar com uma capacidade de defesa hemisférica nesse campo, que é tão importante quanto qualquer outro relativo à segurança dos indivíduos na preservação do crescimento econômico e da competitividade.

A América Latina e o Caribe são um rico terreno de caça para as gangues especializadas de criminosos extremamente habilidosos. Esses grupos aprenderam com a indústria do cibercrime da Europa Oriental como atacar os bancos e sabotar o comércio. As instituições financeiras são particularmente vulneráveis, porque qualquer pessoa pode adquirir um kit de cibercrime pela internet por apenas US$ 140, que facilita o roubo de senhas e de dados financeiros.

Entretanto, essas instituições são frequentemente as menos acessíveis quando se trata de informar a ocorrência de ataques cibernéticos.

Por que a região está tão atrasada na prevenção desse tipo de ataque? Por que ainda não foram criados arcabouços legais que permitam processar os responsáveis por esses crimes? O motivo real é que a América Latina e o Caribe passaram a abordar um pouco tarde a questão da segurança.

Ao contrário dos crimes violentos contra pessoas, os crimes cibernéticos são sub-reptícios. No entanto, ninguém - nem governos, setor privado, nem a sociedade civil - pode ignorar as consequências do crime cibernético para a segurança dos cidadãos.

O que pode ser feito para fazer frente a essa nova onda de criminalidade oculta? Em primeiro lugar, será essencial empreender campanhas de educação do público. Considerando que 65% dos usuários da internet têm menos de 35 anos, serão imprescindíveis campanhas de informação para ensinar aos novos usuários como impedir que os computadores se tornem vulneráveis aos ataques.

Essencial é também uma maior difusão do uso de antivírus e de softwares antimalware. Pagar por esse software não é um luxo, mas uma necessidade. Em segundo lugar, cada país deve investir no treinamento de uma nova geração de combatentes em prol da segurança cibernética, capazes de defender o seu país contra as crescentes ameaças às redes nacionais computadorizadas.

Segurança. Um profundo compromisso com a educação tecnológica permitirá aumentar a oferta de trabalhadores treinados. Finalmente, será preciso criar um arcabouço regulador regional para os crimes cibernéticos a ser usado em toda a região. A falta de leis comuns ou de definições dos crimes cibernéticos torna o trabalho das forças de segurança mais complicado, porque polícia e Exército não podem perseguir os criminosos pela inexistência de uma legislação clara para atacá-los judicialmente.

As invasões dos criminosos cibernéticos, como o phishing e o hacking, custam milhões de dólares não revelados aos governos e às empresas. Os crimes cibernéticos, como todas as outras formas de atividades ilícitas, não desaparecerão. Neste exato momento, estamos testemunhando o lado negro da globalização em muitos países.

Se os governos não agirem com rapidez para tratar das questões de segurança cibernética, veremos a América Latina tornar-se uma das plataformas preferidas para o malware, as fraudes eletrônicas e os spams.

A segurança dos cidadãos não diz respeito apenas à prevenção dos crimes violentos, mas deve também incluir a segurança do ciberespaço a fim de garantir que os ganhos econômicos das últimas décadas sejam preservados e não roubados secretamente por meio do toque de uma tecla.

Tradução de Anna Capovilla.

http://www.modulo.com.br/comunidade/noticias/3224--latino-americanos-chegaram-tarde-a-questao

Comentários

  1. Sou obrigado a discordar do artigo. Apesar da maioria dos países latinoamericanos não ter uma estrutura eficiente para combate aos crimes cibernéticos (basta uma pesquisa rápida para ver que poucos tem um CERT nacional bem estruturado, e o CERT.br é uma grande excessão na região), vários países da América Latina já possuem alguns tipos de leis regulamentando os crimes cibernéticos. O Chile, por exemplo, tem lei sobre delitos informáticos desde 1993. Podemos questionas a eficiência das leis em vários países e a capacidade destes países em aplicá-las, mas é errado afirmar que "ainda não foram criados arcabouços legais".
    Veja mais detalhes sobre este assunto aqui: http://www.slideshare.net/anchises/03-cibercrimecenarioal (apresentação que fiz no GTS em 2009).

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Top 10 ameaças de segurança para 2011

Top 10 ameaças de segurança para 2011  Dos dez principais ameaças de segurança para 2011, alguns deles até mesmo fazer o bem informado e técnicos mentes fracas nos joelhos. Já este ano, a ameaça número um foi identificado. Pela primeira vez na história da internet, os hackers podem comprar uma cópia registrada de um kit de Malware sofisticados para 99,00 dólares, mas mais sobre essa ameaça abaixo. Em nenhuma ordem particular, estes são os outros nove principais ameaças à segurança para 2011: O Malware Toolkit: Este Kit Malware inclui todas as ferramentas necessárias para criar e atualizar o malware, bem como assumir o controle de um computador host, além de atualizações e-mail e suporte do produto. Por que isso é como a ameaça? Porque não são necessárias habilidades de codificação, os usuários simplesmente precisam dominar as opções do programa clicáveis e são apresentadas com uma web baseada em Linux exploit usando a mais recente tecnologia de botnets, pronto para implantar. hacke

O perigo do ‘leilão de centavos’

Advogado especialista em segurança da informação denuncia as fraudes que levam internautas a perder dinheiro em sites Cristina Camargo Agência BOM DIA Atenção: ao não resistir à tentação e entrar em sites que promovem os “leilões de centavos”, você pode ser enganado e perder dinheiro . É o alerta do advogado José  Milagre, de Bauru, especializado em segurança da informação. “Em análise acerca da autenticidade de alguns sites, identificamos que, descaradamente e incrivelmente, os vencedores são sempre os mesmos – e estes usuários, na verdade, não existem”, escreveu no site Olhar Digital, em artigo que ganhou repercussão entre os internautas . Quem participa desses leilões compra créditos pré-pagos  para lançar à vontade nos produtos. Mas, segundo Milagre, grande parte desses endereços eletrônicos divulga informações falsas aos usuários. “Na verdade, [os sites] não estornam os créditos e alguns sequer permitem que os créditos sejam utilizados para a compra de outras mercadorias,

Polícia Federal cria ferramentas para combater a pornografia infantil

A Polícia Federal (PF) investe em tecnologias inovadoras no combate a pornografia infantil na Internet. Operações como Tapete Persa, Laio, Turko, e Carrossel I e II resultaram na prisão de diversos pedófilos nos últimos três anos. Uma das armas mais recentes nessa luta, o software NuDetective, desenvolvida por dois peritos do Mato Grosso do Sul, consegue identificar a presença de material com pornografia infantil em computador suspeito. A ferramenta foi apresentada na VII Conferência Internacional de Perícias em Crimes Cibernéticos (ICCyber 2010). O perito criminal federal e chefe do Serviço de Perícias em Informática da PF, Marcos Vinicius Lima, explica que o combate a pedofilia tem se intensificado com o aumento no número de prisões a cada ano: “somente na ultima ação prendemos mais de 20 suspeitos. Essas ferramentas deram efetividade ao trabalho da polícia”, afirmou. O NuDetective funciona por meio do reconhecimento automatizado de assinaturas de arquivos